Truman

Emocionante sem ser piegas, Ricardo Darín e Javier Câmara, precisa dizer mais?

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07 de maio de 2016

Cachorros sempre são elementos emotivos em filme. Assim como crianças. Então seriam arquétipos bem vindos para amenizar se falar de morte. Mas o tema principal de “Truman” de Cesc Gay (de “O Que Os Homens Falam”) não é sobre a morte, e sim sobre a amizade, lealdade e identidade, três questões realmente realçadas quando se tem o elemento canino em tela. Além do protagonismo de um lindo cão da raça ‘fila brasileiro’, o outro personagem principal é interpretado pelo muso argentino Ricardo Darín (“O Segredo de Seus Olhos”, “Um Conto Chinês”), em uma performance segura e emotiva sem ser piegas, despido de preconceitos para estar maquiado de forma bastante abatida e vulnerável como um doente terminal de câncer que procura um novo lar para seu cachorro. Como reforço extra, o diretor volta a convocar também o almodovariano Javier Câmara (“Fale com Ela”) que trilhará com Darín a jornada de cura em vida da perda de identidade do melhor amigo.

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Sim, é dito que na hora da morte a pessoa pode rever toda sua vida bem diante de seus olhos… Mas o que ela estava fazendo que não prestou atenção na vida conforme ela passava em tempo real para ter que esperar até o extremo para parar e apreciar? Eis a lição que o protagonista terá de aprender enquanto mantém sua saúde. Para refletir isso, o cineasta escolhe conscientemente filtros azulados ou cenografias e figurinos em tons acinzentados, refletindo o mal estar de vida no qual se colocava o personagem-narrativo e seu cão desanimado. Esta intenção visual de opostos é demonstrada logo de base com as primeiras cenas na neve homogênea do Canadá de onde virá o personagem mais cálido e afetuoso, em contraste com a ensolarada Espanha onde o outro protagonista reside sem energia nas sombras. Tanto que em determinado momento, quando viajam atrás do filho do personagem doente em Amsterdã, as cores mudam, para refletir novas chances.

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Ganhador de inúmeros prêmios no Festival de San Sebastian e no último Goya, o Oscar Espanhol, grande força reside no roteiro afetuoso sem ser piegas do próprio diretor em parceria com Tomàs Aragay e na interpretação segura dos dois atores multipremiados, com Javier Câmara sendo a âncora e um pouco do humor que seguem Darín conforme ele procura um novo lar para seu cão dentre várias tentativas frustradas com famílias variadas com quem Truman não se adapta. ). Tudo isso para responder de fato em qual lar (corações) pertence o verdadeiro cachorrão abandonado, por analogia, da história. Para fechar o ciclo, também brilha em tela a personagem de uma das parentes mais próximas de Darín, na pele de Dolores Fonzi (de outro premiado filme, “Paulina”, numa das melhores interpretações femininas do ano).

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