Um Ato de Esperança

Com uma história interessante em mãos, Richard Eyre perde uma boa oportunidade ao entregar um filme mediano

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23 de março de 2019

Baseado no livro homônimo escrito por Ian McEwan, que é também roteirista do filme, “Um Ato de Esperança” traz Emma Thompson como Fiona Maye, uma eminente juíza da Alta Corte Britânica, que resolve casos polêmicos e complexos do direito familiar. Enquanto seu casamento com o professor universitário Jack (Stanley Tucci) está em ruínas, chega a suas mãos o caso de Adam (Fionn Whitehead), um garoto sensível diagnosticado com câncer que se recusa a fazer a transfusão de sangue que salvará sua vida por motivos religiosos. Após quebrar o protocolo indo visitá-lo no hospital, a juíza tem sua perspectiva sobre a vida mudada e novos sentimentos que ela não conhecia surgindo.

“The Children Act” (no original) é o típico drama life changing que transforma a vida dos protagonistas, fazendo-os enxergar o mundo de uma forma jamais antes imaginada. O filme, dirigido por Richard Eyre (“Notas Sobre um Escândalo”), começa bem ao mostrar a pesada rotina de Fiona no tribunal, que a desgasta pessoal e emocionalmente por sempre priorizar o trabalho. Casos complicados como o dos gêmeos siameses, cuja resolução seria dolorosa de qualquer jeito, fazem-na pensar que qualquer outra coisa não tem importância e pode ser deixada para depois, inclusive a sua vida conjugal, que seu marido tenta reanimar a todo o momento sem sucesso. É a partir da cena em que a juíza visita Adam entre a vida e a morte no hospital que a direção de Eyre começa a pesar a mão, levando a trama para um caminho melodramático muito exagerado que permanece até o final.

O segundo ato, que é basicamente o garoto perseguindo Fiona para tentar se aproximar dela de todas as maneiras, é bastante arrastado e cansativo. O filme volta a ficar mais interessante apenas no meio do terceiro ato, quando o comportamento da juíza mostra sinais mais claros de mudança e leva a sensibilidade de pianista talentosa que é para sua vida pessoal. “Um Ato de Esperança” foi feito para Emma Thompson brilhar – desde “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” (2013) não a víamos se entregar tanto a um papel – e ela forma uma bela dinâmica romântico-dramática com Stanley Tucci, mas não tão eficiente com Fionn Whitehead , já que atuação do jovem deixa a desejar no quesito veracidade por conta dos exageros dramáticos, ao contrário da ótima atuação que entregou em “Dunkirk”. Além disso, falta aprofundamento nos temas que o longa se propõe a colocar em discussão. Por fim, a obra de Eyre acaba sendo mediana, irregular e aquém do que poderia ser com uma história tão interessante em mãos.

 

Um Ato de Esperança (The Children Act)

EUA / Reino Unido – 2017. 105 minutos.

Direção: Richard Eyre

Com: Emma Thompson, Stanley Tucci e Fionn Whitehead.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3