Um momento pode mudar tudo

Filme estrelado por Hilary Swank e Emmy Rossum tem objetivo de emocionar

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01 de abril de 2015

Muito se comenta sobre a crise de criatividade pela qual Hollywood tem passado nos últimos tempos. De comédias românticas muito parecidas ao excesso de distopias adolescentes, de filmes de terror nada originais ao bombardeio de longas de ação quase iguais, passando por comédias sem graça, além da enxurrada de filmes derivados de outros, remakes e continuações sem fim. E como hoje em dia “nada se cria, tudo se copia”, Hollywood tem recorrido bastante ao Velho Mundo para buscar inspiração. Seguindo esta linha, “Um momento pode mudar tudo”, baseado no livro homônimo de estreia de Michelle Wildgen, pode ser considerado uma cópia feminina de “Intocáveis” (2011), o longa francês de maior sucesso internacional, dirigido por Olivier Nakache e Eric Toledano. Vale comentar que ainda vem um remake da obra, estrelado por Colin Firth, por aí.

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Dirigido por George C. Wolfe (“Noites de tormenta”), “You’re not you” (no original) começa como o recente “Para Sempre Alice”, com a protagonista comemorando o seu aniversário cercada de pessoas queridas, sem imaginar o que vem pela frente. Quando Kate (Hilary Swank, também produtora do filme) é diagnosticada com ELA (Esclerose lateral amiotrófica), uma doença terminal com rápido avanço, seu marido Evan (Josh Duhamel) divide os cuidados da esposa com outras profissionais, sempre demitidas por Kate. Até que Bec (Emmy Rossum), uma universitária que mantém um caso com um professor casado e não tem certeza do que quer da vida, surge em seu caminho e passa a lhe dar assistência. Enquanto o casamento antes sólido de Kate se desgasta cada vez mais, a ligação com Bec se aprofunda na mesma proporção. Ambas as personagens passam por provações na vida e encontram apoio mútuo na nova amizade.

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O grande problema de “Um momento pode mudar tudo” é que ele parece ter sido criado para ser uma variação de “Intocáveis”, tornando a comparação inevitável. O filme de Wolfe possui, inclusive, falas parecidas com as do filme francês. O ator Josh Duhamel faz até uma não tão sutil referência ao título “Intocáveis” numa fala em que diz que precisava poder tocar em alguém que não fosse machucar. A maior diferença entre as obras é a escolha da intensidade dramática, visto que Nakache e Toledano priorizaram a comédia ao drama, devido à natureza de superação da história e à intenção de tornar a película leve, e os roteiristas Shana Feste (“Amor Sem Fim”) e Jordan Roberts (“Operação Big Hero” e “Segredos de Família”) optaram por escrever um melodrama bem ao estilo americano, com o objetivo principal de fazer o espectador se acabar em lágrimas – a própria estrutura da doença terminal já é mais propícia à emoção. Outro ponto negativo é o ritmo arrastado aliado à longa duração da fita, que acabam por cansar o espectador ávido pela fadada resolução.

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Por outro lado, as atuações são o ponto alto de “Um momento pode mudar tudo”. Duhamel, que entrou no elenco como um rostinho (e corpinho) bonito, consegue sustentar bem o seu personagem, mesmo não tendo muita relevância para a trama. Emmy Rossum, que não emplacou nenhum sucesso depois de protagonizar o musical “O Fantasma da Ópera”, tem aqui a chance de se destacar, apesar de ser um pouco ofuscada por Hilary Swank, que já mostrou seu enorme talento nos dramas bem mais densos “Meninos Não Choram” e “Menina de Ouro”, pelos quais recebeu o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Atriz, e que apresenta aqui uma Kate impecável, do mesmo modo que Eddie Redmayne o fez ao interpretar Stephen Hawking em “A teoria de tudo”. Embora pese a mão no drama, “Um momento pode mudar tudo” traz uma história comovente de um encontro de opostos, embalado por uma bela e triste trilha sonora. Prepare os lencinhos.

 

Um momento pode mudar tudo (You’re not you)

EUA – 2015. 104 minutos.

Direção: George C. Wolfe

Com: Hilary Swank, Emmy Rossum, Josh Duhamel, Loretta Devine, Ernie Hudson, Frances Fisher, Marcia Gay Harden, Jason Ritter, Julian McMahon, Ali Larter e Andrea Savage.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3