Vale da Luta

Rob Hawk reúne estrelas do UFC em filme de ação

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21 de fevereiro de 2017

As artes marciais mistas (MMA, em inglês) são um fenômeno mundial e o UFC, torneio que reúne seus lutadores mais habilidosos, uma mina de ouro. A capacidade de mobilização de cada evento promovido por Dana White e cia. se traduz em uma equação composta por duas variáveis que só aumentam com o passar do tempo: a audiência ao redor do mundo e os milhões de dólares que essa indústria movimenta. Catapultados para a fama por causa do bom desempenho dentro do octógono, nomes como os dos brasileiros Anderson Silva e Vitor Belfort e o do irlandês Conor McGregor, hoje, são tão conhecidos como os dos ídolos de outros esportes mais tradicionais e, atualmente, uma das atletas mais badaladas desse universo é a americana Ronda Rousey, ex-campeã da categoria galo, que, após sofrer dois nocautes consecutivos, parece cogitar a aposentadoria. A expectativa é de que o negócio cresça ainda mais e continue a gerar lucros astronômicos durante muitos anos ainda.

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Diante de tanto sucesso, era natural que o MMA extrapolasse os ringues e chegasse aos cinemas, já que o tempo passa rápido para os heróis de ação e é preciso estar sempre atento a novos talentos. Randy Couture foi um dos primeiros a se aventurarem nessa empreitada e o próprio Anderson Silva já foi tema de um documentário (“Anderson Silva: como água”, 2011), mas Ronda Rousey talvez seja o nome mais consolidado desse novo empreendimento. Sua participação em filmes como “Os mercenários 3” (2014) e “Velozes & Furiosos 7” (2015) abriu caminho para que suas colegas pudessem participar em peso de “Vale da Luta”, do diretor Rob Hawk, que, pela primeira vez na carreira, assina sozinho a direção de um longa-metragem.

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No filme, uma dondoca viaja para uma cidade barra pesada para investigar a morte da irmã em uma luta clandestina. Ela logo descobre que não pode contar com a ajuda das autoridades locais e, então, decide fazer tudo por conta própria, recorrendo às amigas e à namorada da irmã, e aos ensinamentos de uma lutadora casca grossa, já que uma mulher precisa saber se defender sozinha por aquelas bandas.

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O longa de Hawk é uma sucessão de equívocos, a começar pelo inexistente talento dramático do elenco. É natural que atletas que dedicaram suas vidas ao aprendizado das artes marciais não tenham grande desenvoltura diante das câmeras, mas a falta de intimidade de Miesha Tate e sua turma com as artes cênicas chega a ser comovente. Felizmente, ou infelizmente, não é só por isso que o “Fight valley” (no original) é um filme ruim. O fiapo de história que sustenta a trama se escora em um roteiro pífio e nem mesmo as lutas, principal atrativo de um filme do gênero, satisfazem a audiência. Além de escassos, os combates corporais são mal coreografados, mal filmados e duram pouco, frustrando a expectativa de quem pagou o ingresso com a esperança de ver sangue voando para todos os lados. Não fosse o bastante, o diretor não hesita em apelar para o corpo bem torneado de Tate, exibida em roupas curtas e justas durante praticamente toda a história, e para o soft porn barato, especialmente em uma cena que, a pretexto de retratar o amor homoafetivo de duas personagens, não consegue ser nada além de machista.

Avaliação Celso Rodrigues Ferreira Junior

Nota 1