“Variações de Casanova”

Protagonizado por John Malkovich, longa estreia nesta quinta-feira, dia 31.

por

13 de abril de 2017

O famoso sedutor Giacomo Casanova alvoroçou o século XVIII ao contar em livro suas aventuras amorosas, mas em “Variações de Casanova”, do diretor Michael Sturminger, encontramos o veneziano em crise após sofrer um colapso nervoso. A ajuda, vem é claro, de uma mulher, a escritora Elisa Von Der Recke (Veronica Ferres). Ela quer descobrir quem na verdade é Casanova (John Malkovich) que após os anos de glória romântica, vive em decadência numa mansão da Boêmia.

John Malkovich é o sedutor de sempre. Um ator completamente dono do jogo.

John Malkovich é o sedutor de sempre. Um ator completamente dono do jogo.

Inspirado nas óperas de Mozart e em “Histoire de Ma Vie”, autobiografia de Casanova, o longa, em parte filmado no teatro São Carlos, em Lisboa, faz a junção do cinema e da ópera numa encenação que se passa em dois planos. Num momento, encontramos os atores no palco e em outro a cena acontece no cenário da mansão. As variações também saem da trama de Casanova e passam a ser a história do ator John Malkovich. Mais uma vez ele personagem do próprio filme como em “Quero Ser John Malkovich” (1999), de Spike Jonze. O ator sai do palco e interage nos bastidores com fãs, amigos e colegas de cena, em diálogos que discutem o próprio papel do ator e a qualidade do espetáculo que se apresenta. John Malkovich ainda cita Ligações Perigosas (1988) onde encarnou Valmont, um outro casanova (o nome virou sinônimo de amante, conquistador).

As variações de linguagens artísticas apresentadas no filme têm como foco principal a discussão da liberdade de criação, o que leva ao risco de deixar algumas cenas perdidas no conjunto. Mas, afinal, não é isso que o filme propõe? “Que todas as liberdades sejam tomadas”, diz um diálogo. Variações. Os mesmos diálogos se repetem nas vozes dos outros atores propondo um outro olhar sobre Casanova. Um risco que nem sempre resulta afinado na produção. Há ainda a aparição mal resolvida de uma personagem que faz uma amiga de John, que foi ver o espetáculo e é totalmente descartável.

Já a encanação operística é realizada em toda a beleza que o gênero oferece, contando um grande time de cantores, em especial, nas apresentações da soprano Kerstin Avemo e do barítono Florian Boesh.

E John Malkovich é o sedutor de sempre. Um ator completamente dono do jogo.

Avaliação Ana Rodrigues

Nota 4