Vice

Adam McKay retorna à telona com um filme bastante perspicaz que mexe num tema espinhoso para os EUA e para o mundo atual: a política

por

31 de janeiro de 2019

“Cuidado com o homem quieto. Enquanto outros falam, ele assiste. Enquanto outros agem, ele planeja. E quando eles finalmente descansam… Ele ataca.” – Anônimo

Vice3

Esta frase, que inicia a nova empreitada de Adam McKay rumo ao Oscar, resume exatamente do que se trata “Vice”: um homem discreto e ardiloso, que, com um poder bem maior do que qualquer outro vice-presidente já teve, manipulou o então presidente George W. Bush (Sam Rockwell) e toda a política dos Estados Unidos, com consequências que perduram no país e no mundo até hoje. O estilo e linguagem impressos por McKay em “A Grande Aposta” (2015) é mantido em “Vice”, consolidando a sua assinatura como cineasta ao contar a história do ex-vice-presidente Dick Cheney (Christian Bale), através do qual faz uma análise da política não só estadunidense, como mundial.

Vice1

Escrito e dirigido por McKay, que não é nem um pouco imparcial quanto à sua visão política, “Vice” é uma sátira biográfica com oscilações de ritmo que acabam tornando-o cansativo em alguns momentos das suas mais de 2 horas de duração. Como em seu filme anterior, McKay utiliza o humor ácido aliado a uma linguagem mais popular para amenizar o didatismo do tema em questão e conferir mais dinamismo à obra, o que funciona apenas em parte do longa. Afiado nas críticas, o diretor deixou para os pós-créditos a melhor cena do filme, que cutuca o governo Trump e a polarização esquerda-direita, além do desinteresse do povo americano em política – qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência, ainda mais porque nosso país é citado durante o filme.

Vice2

Christian Bale encarna a austeridade de Cheney com brilhantismo embaixo de uma maquiagem difícil de botar defeito e de 20 quilos a mais. Não à toa, já abocanhou prêmios de melhor ator e está indicado ao Oscar com as maiores chances de vencer. Já Sam Rockwell entrega uma interpretação apenas correta, embora a caracterização de George W. Bush esteja incrível, bem como Amy Adams e Steve Carell, que não trouxeram nada de novo em relação a trabalhos anteriores. “Vice” foi feito para Bale brilhar na esperta quietude de seu matreiro personagem. A capacidade de McKay em criar um longa com um tema complicado e transformá-lo também em entretenimento, reconhecendo a sua importância, é algo a ser celebrado. Um filme americano para americanos, do jeitinho que a Academia gosta, mas que, com o atual cenário político mundial, a identificação por outros países é grande.

Vice (Idem)

EUA – 2018. 132 minutos.

Direção: Adam McKay

Com: Christian Bale, Amy Adams, Steve Carell, Sam Rockwell, Tyler Perry e Alison Pill.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 4