Vidas à Deriva

Novo drama romântico de Baltasar Kormákur se apoia na boa química entre os astros Shailene Woodley e Sam Claflin

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09 de agosto de 2018

Entusiasta de histórias de sobrevivência e desastres naturais, o cineasta islandês Baltasar Kormákur, que já dirigiu dois filmes desta temática (“Sobrevivente” e “Evereste”), comanda seu novo longa-metragem “Vidas à Deriva”, baseado no livro “Red Sky in Mourning: The True Story of Love, Loss, and Survival at Sea”, deTami Ashcraft. Estrelada por Shailene Woodley e Sam Claflin, mais conhecidos, respectivamente, pelas sagas “Divergente” e “Jogos Vorazes” a trama acompanha o romance de Tami Oldham (Woodley) e Richard Sharp (Claflin) desde seu início no Taiti até depois da terrível tempestade que atingiu o veleiro em que estavam, deixando-o destruído. Tami se vê sozinha em alto-mar tentando encontrar uma forma de salvar a si mesma e o namorado.

Com roteiro escrito a seis mãos por Aaron Kandell (“Moana: Um Mar de Aventuras”), Jordan Kandell (“Moana: Um Mar de Aventuras”) e David Branson Smith (“Ingrid Vai para o Oeste”), o longa começa mostrando o acidente aquático e intercala o que acontece depois que ele ocorreu com os momentos que o antecederam, o princípio e o desenvolvimento do relacionamento de Tami e Sam. O estilo da narrativa escolhido por Kormákur lembra um pouco as inúmeras adaptações dos livros de Nicholas Sparks para o cinema, cujo objetivo maior é fazer o público chorar. O foco em “Adrift” (no original) é o profundo amor entre os belos jovens, e não a tragédia em si e os perigos de estar em alto-mar, diferente do ótimo drama “Até o Fim”, estrelado por Robert Redford.

Quando o assunto é isolamento, o filme mistura elementos de “As Aventuras de Pi” com o personagem Sam de “A Noite Devorou o Mundo” – um filme de zumbis, veja só –, mas com menores camadas de profundidade, preferindo sempre se voltar para o aspecto romântico do enredo. Shailene Woodley entrega uma interpretação bastante competente, com uma evolução que é possível ver a partir da excelente série “Big Little Lies”, e Sam Claflin está eficiente na pele de Richard; há uma química muito boa entre o casal. Embora previsível, “Vidas à Deriva” apresenta ao espectador uma reviravolta no final, que deixa algumas pistas espalhadas, porém não tão óbvias, ao longo do filme. É uma boa adaptação biográfica que é fiel ao que se propõe, ainda que esteja bem longe de ser memorável.

 

Vidas à Deriva (Adrift)

EUA – 2018. 96 minutos.

Direção: Baltasar Kormákur

Com: Shailene Woodley, Sam Claflin, Elizabeth Hawthorne e Jeffrey Thomas.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 3