Vitória para o cinema documental na Berlinale 66

'Fuocoammare' ganha o Urso de Ouro num ano coalhado de controvérsias políticas

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20 de fevereiro de 2016

"Fuocoammare", de Gianfranco Rosi: denúncia.doc

“Fuocoammare”, de Gianfranco Rosi: denúncia.doc

Deu realidade na cabeça no encerramento do 66º Festival de Berlim: a realidade triste  dos refugiados africanos em busca de um lar retratados no documentário italiano  Fuocoammare, de Gianfranco Rosi. Foi ele o ganhador do Urso de Ouro, derrotando 17 concorrentes exibidos ao longo de dez dias de pesada reflexão estética. Há três anos, o cineasta surpreendeu o planisfério cinéfilo ao receber o Leão de Ouro por Sacro GRA em Veneza. Agora, foi a vez da capital alemão, recebendo a láurea de um júri presidido pela atriz Meryl Streep. Seu protagonista é um lugar. Com cerca de 6 mil habitantes dedicados, em sua maioria, à agricultura e à pesca, sob as bênçãos das águas do Mediterrâneo, a Ilha de Lampedusa, no sul da Itália, vira palco (e objeto) de um ensaio sobre a exclusão, tendo como guia um menino de 12 anos, cuja ingenuidade acaba atropelada pelo turbilhão geopolítico à sua frente, com a chegada de imigrantes feridos e famintos. É um recorte politizado e antenado com a discussão central da Berlinale em 2016. Mas sua vitória vai além do gesto de conscientização: de uma poesia visual rara, ele faz avançar a linguagem documental, embaralhando fronteiras entre fato e ficção.

Confira a lista completa de vencedores:

 

Urso de Ouro: Fuocoammare, de Gianfranco Rosi (Itália);

Grande Prêmio do Júri: Death in Sarajevo, de Danis Tanovic (Bósnia);

Troféu Alfred Bauer de Inovação de Linguagem: A Lullaby to the Sorrowful Mystery, de Lav Diaz (Filipinas);

Direção: Mia Hansen-Love (L’Avenir, da França);

Atriz: Trina Dyrholm (The Commune, da Dinamarca);

Ator: Majd Mastoura (Inhebbek Hedi, da Tunísia);
Roteiro: Tomasz Wasilewski (The United States of Love, da Polônia);

Contribuição Artística: Mark Lee Ping-Bing, pela fotografia de Crosscurrent (China);

Filme de estreia: Inhebbek Hedi, de Mohamed Ben Attia (Tunísia);

 

­Curtas

Urso de Ouro: Balada de um Batráquio, de Leonor Teles;

Urso de Prata: A Man Returned, de Mahdi Fleifel;

Audi Award: Jin Zhi Xia Mao (Anchorage Prohibited), de Chiang Wai Liang;