X-men: Apocalipse

Raio-X referencial de franquia bem-sucedida, que acerta quando homenageia e erra quando não inova.

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20 de maio de 2016

Como é interessante analisar a onda dos filmes de super-heróis, para além de seus êxitos ou fracassos, através da bem sucedida franquia “X-men”. Após os filmes de heróis egressos do primeirão “Super-Homem” terem parecido morrer com os mamilos da armadura do “Batman e Robin” de 97, a retomada ‘super’ se deu com o primeiro “X-men” produzido pela FOX, ditando a regra do novo milênio, que seria tonalizar os poderes e realçar o lado humano, de modo que as fraquezas com as quais todos podem se identificar é que se tornam o diferencial e a força de um verdadeiro herói. No caso do grupo mutante, lutar contra a discriminação e o preconceito. Engraçado que outras franquias se seguiram com ainda mais sucesso de início, como a do “Homem-Aranha” produzido pela Sony ou o remake de “Batman” de Nolan pela Warner. E até a editora em quadrinhos Marvel, dona da metade dos heróis supracitados, criou seu próprio Estúdio de cinema homônimo, levando cada um dos “Vingadores” para as telonas num universo integrado. Mas só o tempo faz o real teste de resistência, e com a finalização da maioria das primeiras trilogias, cada um deles começou a ganhar um ‘reboot’.

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Eis que muitos fracassaram, mas “X-men” conseguiu se renovar em ideias e identidade visual voltando para o passado dos heróis com figurinos retrô e cenários de época, brincando com as idiossincrasias anacrônicas, como na obra-prima “Primeira Classe” do promissor Matthew Vaugh. O roteiro enxuto e redondo inserindo os mutantes na verídica crise de mísseis nucleares de Cuba dificilmente poderia ser reproduzido, e por isso que os produtores se arriscaram ainda mais. Chamaram de volta para os dois filmes seguintes quem originalmente filmou os primeiros, Bryan Singer, e se debruçou sobre algumas das maiores sagas X. Foi logo ambicionando alto na dificílima adaptação de “Dias de Um Futuro Esquecido”, reunindo numa viagem no tempo o elenco oscarizado e clima retrô do “Primeira Classe” com a estética mais pop e escalafobética da trilogia original; destaque para o Wolverine de Hugh Jackman. E, agora, tentou se superar com a saga do “Apocalipse”, um dos maiores e mais poderosos vilões do grupo.

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Em se falando de poder gigantesco, inevitavelmente o filme teria que andar no sentido contrário à tendência que fez o gênero dar certo, ou seja, a humanização das fraquezas dos heróis. Teria de tentar abraçar todo o espírito pipocão que teve seu clímax nas mãos de Synger com “X-2” e aumentar o grau de destruição. De quebra, como ainda é retrô, agora se situa na personalística década de 80, e poderia fazer uma nova declaração visual com isso. Mas será que consegue? Mais ou menos. Pois tudo o que acerta para transformar o desfecho da nova trilogia em um êxito satisfatório é na verdade a homenagem ao que já deu certo antes. Desde o aspecto cromático, direção de elenco azeitado, à reformulação de cenas emblemáticas em novas situações. Não há inovação nesta edição, nem a ousadia da mistura de seu anterior, o que por si só já o coloca em uma boa colocação referencial na franquia, mas aquém dos melhores.

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Alguns detalhes devem ser mencionados: o personagem de ‘Mercúrio’ (Evan Peters), revelação do anterior, volta praticamente com a mesma cena que o fez famoso, mas renovada e ainda mais climática ao som desta vez de “Sweet Dreams” do Erythmics, apesar de o personagem continuar a não poder usar seu nome de guerra supracitado porque os direitos autorais continuam com os Estúdios da Marvel (vide “Vingadores 2”). E Hugh Jackman, que não deixou de aparecer em absolutamente nenhum dos filmes da saga, não deixaria de fazer uma surpresinha aqui, como prévia para seu último filme como “Wolverine”, também um desfecho da trilogia solo. Só que a receita para o sucesso se encontra mesmo na trinca indicada ou ganhadora do Oscar Jennifer Lawrence, James MCavoy e Michael Fassbender, especialmente a química entre estes dois últimos. Ambos se superam nos papéis respectivamente de Xavier e Magneto. Tanto que um ligeiro contratempo é que a exagerada caracterização do vilão Apocalipse até consegue ser suplantada pelo talento do intérprete que o defende, Oscar Isaacs, mas ainda assim empalidece a cada vez que Fassbender rouba as cenas em que contracenam, como a incrível catarse em Auschwitz. Além de que a reconstituição de época poderia ter sido muito mais corajosa abraçando de vez a década de 80, criando uma identidade visual própria, o que não faz.  E para bons entendedores de HQs, independente das mudanças do original, o arquétipo do vilão acerta em receber características de outro inimigo nos quadrinhos, o Rei das Sombras, inclusive na acertada reintrodução da melhor Tempestade que já foi adaptada para a telona (na pele de Alexandra Shipp), como a ladra órfã que cresceu no Egito. E palmas para o retorno em clima de romance de Rose Byrne como Moira MacTaggert, bem como a volta de personagens queridos dos fãs defendidos por novos intérpretes como Jean Grey (Sophie Turner, a Sansa de Game of Thrones), Cíclope (Tye Sheridan) e Noturno (Kodi Smit-Mcphee).

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Ademais, a velha regra: o filme é mais quando tenta ser menos, acerta no saudosismo e erra na pretensão. Melhor piada: os personagens irem assistir “Star Wars: O Retorno de Jedi” e admitirem em metalinguagem que o desfecho de trilogias sempre são os piores filmes.

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