“Z – A Cidade Perdida” – Dom Quixote britânico em uma aventura agridoce

Dirigido por James Gray, longa é uma das estreias desta quinta-feira, dia 1o.

por

01 de junho de 2017

Quem acompanha a filmografia do diretor James Gray sabe que seus personagens são pessoas frustradas, marcadas por uma causa-efeito catártica quase sempre negada por circunstâncias externas e internas. Em “Z – A Cidade Perdida” (The Lost City of Z no original) não é diferente.

Z - A Cidade Perdida

Baseado no livro homônimo de David Gann que conta a pesquisa insana do explorador Percy Fawcett (Charlie Hunnam, visto recentemente na versão moderrna do Rei Arthur) em descobrir uma cidade perdida no interior da Amazônia (entre a Bolívia e o Brasil), o filme se divide em três etapas com viagens para o mesmo local com resultados bem diferentes, pois está claro que não se trata sobre o que acontece nestas viagens e sim o que ocorre antes e depois. Gray está interessado em mostrar as consequências, as renúncias familiares e a ambição trágica e desmedida de forma agridoce, embora nunca abandone sua elegância cênica.

 

Situado numa era pós Vitoriana quando a Inglaterra era a ilha mais poderosa do planeta (portanto a mais prepotente), a trama vasculha a onipotência daqueles que acreditavam em uma soberania absoluta e infinita. Acontece que esta complexidade emocional não cai muito bem em um filme que fica no meio do caminho entre um “Indiana Jones” e “Fitzcarraldo”. Com belos enquadramentos e uma fotografia suave e ornamental, “Z – A Cidade Perdida” é um filme sem pragmatismos sobre um homem que busca a solidão, mas que nunca está sozinho, forçando o espectador a explorar contornos familiares escondidos entre os deslocamentos trágicos deste Dom Quixote britânico.

 

“Z- A Cidade Perdida” (The Lost City of Z)

EUA, 2016. 141 min.

Direção: James Gray.

Com: Charlie Hunnam, Robert Pattinson, Sienna Miller, Tom Holland, Edward Ashley.

Avaliação Zeca Seabra

Nota 4