‘Zama’ exume entranhas políticas latinas

Sem data de estreia definida nos cinemas brasileiros, longa é um dos selecionados para a Mostra Première Brasil: Hors Concours longa ficção da 19a edição do Festival do Rio.

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07 de outubro de 2017

Bobagem dizer que “Zama” (Idem – 2017) é um derivado masculino de Lucrecia Martel, torto em sua obra. “Zama” tem tudo o que a gente gosta na obra dele só que com mais vigor plástico: o som segue soberano, a música entra como um cão guia, fala-se com os olhos.

Longa é um dos selecionados para a Mostra Première Brasil: Hors Concours longa ficção do Festival do Rio 2017.

Longa é um dos selecionados para a Mostra Première Brasil: Hors Concours longa ficção do Festival do Rio 2017.

Feminino ou masculino se trançam em La Martel, desde sempre, no foco real de sua narrativa: a implosão dos afetos. E como se implode na Argentina do século XIX, onde o banditismo é uma reação a uma lei regia – e autossuficiente – chamada corrupção. Parece o Brasil, o que torna este longa de um colorido turvo e suarento – mais um gol do Lionel Messi da fotografia lusa, Rui Poças – ainda mais necessário entre nós.

Seu Zama (Daniel Giménez Cacho, de “Má Educação”) é um Gogol desterritorializado, um inspetor geral da Coroa Espanhola cujo dever é fiscalizar contravenções coloniais. Mas há um algoz em seus calcanhares, que precisam gastar toda a angústia engastalhada em seu peito quando ele se une a uma expedição que tem Matheus Nachtergaele como um batedor cheio de segredos. Matheus entra como um segundo sol no filme – o primeiro é Lola Dueñas, afrodisíaca como uma nobre manipuladora -, integrando um bando que tem o também brasileiro Evandro Melo (em ótima atuação) no elenco.

Com quadros de um rigor plástico militar, “Zama” é um inventário de cicatrizes mais universais do que acreditamos. E a arte de Renata Pinheiro é uma estrela à parte. Lucrecia demorou, mas…


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