A Costureira de Sonhos

Filme indiano não traz nada de novo, mas conquista por sua leveza e simplicidade

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11 de novembro de 2018

Para agradar, muito vezes não é preciso ter muita criatividade, e sim, o básico bem executado. Este é o caso de “A Costureira de Sonhos”, longa-metragem de estreia na direção da indiana Rohena Gera, roteirista e produtora reconhecida em seu país. Na trama, Ratna (Tillotama Shome) trabalha como empregada doméstica na casa de Ashwin (Vivek Gomber), membro de uma família rica. Enquanto ele tem tudo de que precisa, mas está perdido após um término de noivado, ela tem muita esperança e determinação para alcançar o seu sonho de se tornar uma designer de moda, mesmo contra todas as perspectivas de sua origem pobre. Dois mundos muito distintos que se aproximam por uma inesperada conexão, mas que possuem barreiras complicadas de se ultrapassar.

Gera trata de um assunto delicado ainda hoje na Índia, a relação entre a classe média e seus ajudantes domésticos, com muita leveza e respeito, e passa um pouco da cultura de Mumbai e de cidades pequenas, interioranas da Índia, que, para quem é ocidental, pode parecer um tanto quanto estranha. O título original “Sir” é a distância imposta com que Ratna trata o patrão Ashwin durante quase todo o filme. A cineasta trabalha o tempo todo com contrastes, seja utilizando elementos imagéticos ou através de diálogos explicativos.

 Além das boas interpretações que ajuda muito na aproximação do espectador com as personagens, a química entre a dupla de protagonistas Tillotama Shome e Vivek Gomber é um dos pontos altos do longa. “A Costureira de Sonhos” é aquele típico filme clichê que já vimos por aí aos montes, mas que consegue prender a nossa atenção até o fim e nos fazer sorrir quando termina. É o que se pode chamar de filme fofo e simpático.

 

Festival do Rio 2018 – Expectativa 2018

A Costureira de Sonhos (Sir)

Índia / França – 2018. 99 minutos.

Direção: Rohena Gera

Com: Tillotama Shome e Vivek Gomber.

Avaliação Raíssa Rossi

Nota 4