‘A Garota Ocidental – Entre o Coração e a Tradição’

Escrito e dirigido pelo belga Stephan Streker, o longa entra em cartaz nesta quinta-feira, dia 22.

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21 de junho de 2017

A intolerância, levada ao ponto máximo da estupidez nos atentados recentes, revela o enorme abismo que impossibilita a compreensão religiosa e social entre o mundo cristão e o muçulmano. A dificuldade de lidar com as diferenças, mas principalmente, com a liberdade, com as escolhas, é o tema de “A Garota Ocidental – Entre o Coração e a Tradição”. Se a adolescência é um período efervescente para meninos e meninas, ela ganha complexidade quando a personagem em questão é uma jovem muçulmana do Paquistão que vive com a família na França e quer ter o direito de escolha.

Lina El Arabi estreia no cinema no papel de uma adolescente muçulmana que não quer seguir os preceitos de sua religião (Foto: Divulgação).

Lina El Arabi estreia no cinema no papel de uma adolescente muçulmana que não quer seguir os preceitos de sua religião (Foto: Divulgação).

Escrito e dirigido pelo belga Stephan Streker, o longa retrata a peculiar situação cultural de Zahira. Ela tem um namorado da mesma etnia e está grávida. Contraditoriamente, a família quer que ela faça um aborto. O casamento com o rapaz não é conveniente nem do ponto de vista econômico, nem social. E ele também não quer ficar com Zahira.  A jovem, no entanto, quer o bebê. Mais que isso, ela não está disposta a seguir as convenções muçulmanas. Os pais querem que ela escolha, via internet, entre três pretendentes, que ela nunca viu pessoalmente. A tradição se adequando à modernidade, nesse caso é uma ironia. Tecnologia e conveniência estabelecem o relacionamento distante em corpos e afinidades.

A garota, mantém sua fé em Alah, mas está adequada e curte o estilo de vida ocidental onde a mulher pode fazer seu caminho e escolher como viver e com quem quer ficar. Zahira ama a família. O irmão mais velho e querido, Amir (Sébastien Houbani), é um parceiro na intermediação com os pais, apesar de seguir a tradição. O amor da jovem pela religião e pela família entra em conflito com a sua individualidade.

Lina El Arabi e Zacharie Chasseriaud em cena (Foto: Divulgação).

Lina El Arabi e Zacharie Chasseriaud em cena (Foto: Divulgação).

O diretor teve uma missão difícil. Tratar o tema, que levanta tantos debates, sem ferir convicções, é praticamente inevitável, para o olhar ocidental do autor. Através dos silêncios de Zahira, percebemos o quanto ela está dividida e reprimida. A atriz Lina El Arabi, fazendo sua estreia no cinema, consegue de modo comovente transmitir só com o olhar a angústia de uma adolescente que está diante de questões que gravitam pelo mundo dos jovens como gravidez, a consequente possibilidade de um aborto e o namoro rejeitado pelos pais. Tudo ganha contornos mais dramáticos diante da origem muçulmana.

 

A Garota Ocidental – Entre o Coração e a Tradição é uma trama de amor e rebeldia. Lados opostos, a história recente confirma, convivem em aparente harmonia, mas a tragédia está presente, num dia qualquer.

Avaliação Ana Rodrigues

Nota 4