Bacurau

Legítima Defesa Cinematográfica: Por que “Bacurau” é o melhor filme do ano!

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28 de janeiro de 2021

Vamos fazer um pequeno exercício aparentemente hipotético de imaginação… É importante ressaltar que é estritamente hipotético, por enquanto.

Imagine um governante com o maior índice de desaprovação na história de um povo. Alguém que representasse a sua própria gente tão pouco, ou menos que nada, que precisasse ser destituído para a sobrevivência geral da nação. Agora, imagine que o povo tem esse poder de se indignar e se rebelar contra o que não lhe representa e pode ameaçar a sua existência. Imagine esse governante diante da força deste povo. Imagine que esta força pudesse lhe despir de todas as suas mentiras e bravatas e fakenews. Imagine agora que as próprias mentiras do governante o amarrassem…

Está imaginando? Feche os olhos, você consegue. Continue segurando minha mão nesta jornada. Prossigamos… Agora, imagine que esta pessoa despida e amarrada pelas próprias palavras proferidas fosse carregada pra bem longe… Carregada, por exemplo, no lombo cansado, mas irreprimível de um bom e forte jumento. Um burro de carga trotando pela areia seca e remexida contra o vento, a levar aquele fardo fétido muito mais pesado do que aparentava — um ônus que jamais imaginou ter de sustentar… Tadinho do ruminante… Tomara que resista e tenha força para voltar…

Então, moral da história: quando um povo possui a força da união, este mesmo povo é capaz de tudo, até de fazer coisas ainda mais bravas e corajosas do que estas descritas acima… Até mesmo contando como parte deste povo a parcela arrependida que apoiou o lado errado, de princípio, ora a se sentir enganada. E é sobre isso que se trata o filme “Bacurau”, sobre uma cidadezinha homônima que vira alvo de forças externas que gostariam de fazê-la desaparecer do mapa, talvez por medo de insurreição popular ou para facilitar o acesso estrangeiro às suas riquezas naturais (alguém pensou na Amazônia em chamas?!). Basta dizer isso, por enquanto, do roteiro. — Porque, sim, estamos falando de um filme, certo? Lembra que era algo hipotético? Mas também estamos falando de força social. E de justiça popular bastante real. E do filme “Bacurau”.

Mapa da Geopolítica Global

Pois “Bacurau” de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles provavelmente se tornou a obra mais falada do ano, por todos os seus méritos e, no extracampo, por sua representação da cultura nacional ante um governo que está tentando miná-la – vide o recente veto presidencial a um projeto de incentivos ao cinema brasileiro. Talvez este seja um dos filmes mais importantes da década, não apenas para nós brasileiros… O que os seus cineastas conseguiram foi algo muito maior do que apenas uma experiência de 2 horas: eles consolidaram no mapa da geopolítica global tanto o Brasil quanto o crescente reconhecimento do nosso cinema neste milênio, e personificaram na tela o direito de resposta que estava sendo negado aos oprimidos contra o sistema opressor e conservador de um resgate do fascismo no Brasil e no mundo inteiro.

É interessante neste ponto propor e estender a vocês um outro pequeno exercício que aconteceu antes de os jornalistas e críticos cariocas ingressarem na sala de cinema para assistir à primeira sessão brasileira de “Bacurau”, destinada à imprensa. Eu fiz a seguinte pergunta para nós mesmos: Por todas estas razões acima descritas, “será que estaríamos adentrando na sala de projeção já predispostos a ‘gostar’ do filme? Seria isto um problema?”. Quando a expectativa é muito alta, antes mesmo de começar a experiência, podemos colocá-la em risco ou condicionar o resultado antes mesmo de senti-lo? Ou, numa via oposta, podemos criar sem querer um pedestal por demasiado alto que nos geraria frustração diante da obra de fato? Pode bem ser que nenhuma obra esteja à altura do pedestal projetado em nossa imaginação…

É por isso que respondi à nossa própria pergunta com outro desafio: Na verdade, muito mais do que a expectativa de ‘gostar’ de uma obra que se comunica com tudo o que se está vivenciando no momento de um país, o que “Bacurau” proporciona com sua imersão contemporânea não seria a abertura de um diálogo?! “Diálogo”…? — vocês podem perguntar. — Ainda mais num filme que usa da linguagem da violência como direito de revide…

Em meio a acusações recentes do governo na tentativa de detratar e desarmar o nosso cinema brasileiro em seu maior clímax histórico, de inúmeros prêmios e competições internacionais, estas salas lotadas que citei acima são prova viva de que este mesmo filme anda conseguindo alcançar algo real nos espectadores. Sem falar que Bacurau gerou 800 empregos diretos e indiretos, levou mais de 730.000 pessoas aos cinemas e teve uma renda de mais de 11,2 milhões de reais, de acordo com a distribuidora Vitrine Filmes. Um sucesso inserido no mesmo setor de cultura brasileira que equivale a 2,5% do PIB, em torno de 170 bilhões de reais, empregando cerca de 5 milhões de pessoas, entre formais e informais, ou quase 6% de toda a mão de obra brasileira. E estes são apenas alguns números compilados recentemente pela jornalista Joana Oliveira para o El Pais*.

Gostem ou não, saiam emocionados ou chocados da sala do cinema, a última coisa que provavelmente irão sentir seria “indiferença”. Não dá para ficar indiferente a este evento. E um baita evento, sim! — talvez poucas vezes comparáveis em despertar com que todos os setores se importassem com isso no nosso currículo cinematográfico, guardadas as devidas proporções, como recentemente apenas exemplares como o kafkaniano “O Processo” de Maria Augusta Ramos conseguiu (e olhe que se tratava de um documentário, o que na tradição brasileira infelizmente desperta menos reações no circuito comercial do que as obras de ficção).

Reconhecimento em Festivais Internacionais

E eis que “Bacurau” é tudo o que se fala no momento. Mas não foi só de ganhar 10 prêmios internacionais, como em Munique, Lima, Montreal, Catalunha e Key West, além da cereja do bolo, o Prêmio do Júri na competição principal pela Palma de Ouro no Festival de Cannes 2019 (empatado com “Les Miserables” de Ladj Li)… Nem por se pronunciar politicamente (eu disse politicamente, e não partidariamente, atentem a isto neste Brasil tão polarizado) no contexto da trama ficcional. Porque, afinal, todas as personagens são hipotéticas, e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Coincidência não, minto. Talvez sejam harmonizações de temas urgentes demais para não convergirem metaforicamente em tudo o que fazemos hoje em dia (meio que de forma “feng shui”) — Seja pelas micropolíticas afirmativas de gênero, raça, sexualidade, classe e territorialidade, bastante presentes aqui, ou a tenebrosa necropolítica atual. Mais do que nunca, precisamos vencer o velho estigma de que nossa cultura é “viralata” perante o “pedigree” do que vem de fora, pois apenas na valorização do que é nosso que conseguiremos deter as novas formas de dominação colonizadora a flertar com o governo atual, como já defendiam nomes como Glauber Rocha e Paulo Emílio Salles Gomes.

A realidade é que Cannes não entregaria um prêmio destes com tal porte se o filme não contivesse tutano. Linguagem. Referências. E tantas mais coisas que não caberiam num filme cujo único defeito maior é durar apenas 2h, uma vez que poderia facilmente transbordar para mais tempo de projeção, tanto quanto não dá para se fazer um texto curto à altura para explicar as razões disso.

Cinema Brasileiro Histórico

Devo começar dizendo que o cinema brasileiro não é estranho a Cannes. Os próprios diretores de “Bacurau”, Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, já tiveram obras anteriores concorrendo à Palma de Ouro no Festival, como “Aquarius”, com o primeiro assinando a direção solo e o segundo a assistência de direção. Ou mesmo obras clássicas de nossa filmografia que já foram laureadas na Croisette, como “O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro” de Glauber Rocha, que deu a este o prêmio de melhor direção no mesmo Festival em 1973. Aliás, filme este de Glauber em que “Bacurau” bebe muito da fonte. Há aqui um poderoso acervo de influências do Cinema Novo na utilização de plano-sequência em visões panorâmicas da beleza natural do cangaço como gênero de luta, calcado em Lampião, Maria Bonita, Corisco e Dadá… Algo tão fascinante quanto calejado pela experiência cinematográfica de nosso grande Nordeste. Mas não é só de Cinema Novo que Kleber e Juliano atualizaram suas cartas na manga no reconhecimento mundial de nossa sétima arte brasileira.

Há toda uma gama de simbologias de gênero, mas não necessariamente de um cinema comercial, e sim marginal, de invenção! “Bacurau” experimenta, por exemplo, com ares high-tech e sci-fi através de signos de nossas obras nos anos 60, como “O Bandido da Luz Vermelha” de Rogerio Sganzerla” a “O Quinto Poder” de Alberto Piarelisi (falando sobre manipulação de massas e mensagens subliminares pelas mídias de comunicação, algo muito atual). Podemos também falar sobre um leve toque fantástico de surrealismo como dos cults “Hitler 3° Mundo” de José Agrippino de Paula, “Feminino e Plural” de Vera de Figueiredo e “Orgia ou o Homem que Deu Cria” de João Silvério Trevisan (na força coletiva de elenco e no uso da sexualidade contra a caretice). Ou até remissões diretas ao terror e ao horror psicológico, que advém das raízes do Cinema Marginal brasileiro como nos filmes de Zé do Caixão e Ivan Cardoso. — Afinal, antes mesmo de personagens como Jorge (“O Bandido da Luz Vermelha”), ou o famoso personagem encarnado pelo próprio cineasta José Mojica Marins ou, depois, a Múmia de Ivan foram alguns dos primeiros representantes distorcidos da resistência subversiva popular contra o status quo, levantando a bandeira dos excluídos e incompreendidos através da potência que o terror podia evocar contra as injustiças sociais (as quais são muito mais aterrorizantes). O sangue excessivo, neste caso, não era para assustar, e sim purificar, para unir nos fluidos aquilo que é comum à essência de todos nós; um sangue brasileiro, cujo valor só lembra no dia a dia quem tem o seu próprio derramado também. Um sangue de cinema social.

Cinema de Gênero

E para demonstrar o quanto sabem que nossa cultura influenciou o mundo afora, os cineastas Kleber e Juliano ainda exemplificam referências a cineastas estrangeiros também, cuja consonância histórica coloca muitos de nós brasileiros conjuntamente no quadro mundial. Pode-se ressaltar, de plano, as menções honrosas explícitas ao gore neon de John Carpenter, não apenas presente na estética material, como imaterial, pois foi incluído até um dos famosos arranjos de suspense no sintetizador do cineasta, que já dirigiu clássicos como “Halloween” e “O Enigma do Outro Mundo” (Carpenter também é compositor de muitas de suas próprias trilhas sonoras). – Uma inclusão sonora que se torna visual a partir da estética neon que começa da metade para o final, principalmente nas cenas noturnas, e que alude não só a Carpenter (vide o seu “Eles Vivem”) como a David Cronenberg, inclusive pelas cabeças explodindo (vide “Scanners – Sua Mente Pode Destruir”)

Outro homenageado, não só por enquadramentos, mas reconhecimento assumido por parte da equipe do filme, em vários debates após as sessões que aproximaram ainda mais o filme de seu público, é o realizador Sam Peckinpah, numa tradição estética da violência em faroestes e cinema policial (gêneros também presentes em “Bacurau”). Isto porque o cinemão clássico Hollywoodiano já foi usado de forma bastante crítica em sua própria terra e diante da autorreflexão de como se deu sua colonização, o extermínio indígena e a xenofobia contra mexicanos em sua fronteira ao Sul… E este tutano também precisava estar presente no nosso representante brasileiro dentro da geopolítica mundial (ou deveria dizer, necropolítica mundial, nas palavras de Achille Mbembe), sobre o peso das vidas humanas que o poder do Estado capitaliza para a política de dominação através de resquícios arraigados pelo colonialismo. Ótimo exemplo é a antológica cena dos personagens sudestinos (Karine Teles e Antonio Sabioa, marcantes) que se aliam aos estrangeiros contra os cidadãos nordestinos — numa grande desconstrução da branquitude como visão hierárquica por default, como se “brancos” fossem a regra e outras raças a exceção, logo num país onde a maioria da população é negra e discriminada. — Afinal, o que caracteriza de fato a branquitude? Pois, nem os brasileiros que se considerassem mais brancos foram considerados como tal pelos personagens norte-americanos do filme, que os viram como mestiços num círculo vicioso de cunho nazista, como se existisse uma ‘raça ariana’ no mundo como base de comparação falaciosa.

Atuações e citações memoráveis

Vale ressaltar a esta altura o trabalho do elenco. É certo dizer que há um pouco de destaque destinado a cada um deles. Na lição do grande e saudoso Robert Altman (de cults como “Mash” e “Short Cuts”), que costumava trabalhar com elencos corais gigantescos e sem protagonista centralizador, quase todos possuem seu momento para brilhar. Mesmo que seja uma fala, ou uma gesticulação. Fellini e Kurosawa também eram cineastas que pediam que todo artista imprimisse um tique ou um cacoete a cada interpretação, de modo que a plateia lembrasse daquela pessoa instantaneamente pela memória mnemônica. Eis que alguns se sobressaem, como Sônia Braga no papel crucial de Dona Domingas com seus amores não binários num coração exigente, mas enorme e recompensador (um presentão de Kleber Mendonça depois da parceria de sucesso no longa anterior com ambos, “Aquarius”). Ou mesmo o desenvolvimento paralelo e inversamente proporcional do convidado especial do elenco, interpretando um alemão radicado americano, na pele de Udo Kier (muito lembrado pelo mundo pop no videoclipe da Madonna, “Deeper and Deeper”, mas com extensa carreira internacional, inclusive no terror, como “Suspiria” de 1977). Aqui ele possui um rendimento propositalmente farsesco na própria ironia diegética de sua escalação, munido de seus belíssimos e hipnotizadores grandes olhos azuis, numa espécie tóxica de intolerância ariana.

Só que a verdadeira revelação decerto fica por conta do marcante Lunga (personagem que vem viralizando memes e clamores públicos de um Brasil que quer lutar contra as injustiças) — encarnado intuitivamente por Silvero Pereira, num agregador estado de graça, em seu primeiro papel coprotagonista em longa-metragem, apesar de sólida carreira em curtas, TV e no teatro. Ele traz a vitalidade fluida e não binária de personas como as construídas em suas peças “BR Trans” e “Uma Dama na Noite” para o fora da lei procurado, que vai dar ares de Lampião ou Corisco ao filme; de um justiceiro com as próprias mãos quando as regras da sociedade deixam de lhe representar.

E não esqueçamos também a construção de alguns dos vários coadjuvantes que ganham outras medidas de protagonismo, como Seu Damiano (Carlos Francisco) e Daisy (Ingrid Trigueiro), ambos em estado de graça, donos da melhor e mais aplaudida cena em todas as sessões, a refletir a face do verdadeiro povo brasileiro no primeiro contra-ataque dos oprimidos. Ressaltemos também a dona do bar (Suzy Lopes, uma das melhores atrizes paraibanas da atualidade) com a frase-assinatura: “Quem nasce em Bacurau é gente”; O professor Plínio (Wilson Rabelo), com outra citação marcante: “Estamos sob efeito de um poderoso psicotrópico e você vai morrer”; A vigia da cidade Darlene (Danny Barbosa), com um dos melhores e mais difíceis enquadramentos da história de nosso cinema recente, quando um enorme caminhão passa rente atrás da personagem que está em primeiríssimo plano; E o braço direito de Lunga, Raolino (Valmir do Côco, que já rendeu outra brilhante atuação recente como protagonista de “Azougue Nazaré”).

Só é digno de nota que justamente por tanta riqueza de detalhes que esses artistas evocam que daria para assistir pelo menos mais uma hora de filme, caso seus diretores houvessem arriscado alcançar 3 horas de duração. Há muitas mais camadas ali que poderiam ser exploradas. Especialmente do casal que aparenta de início serem os personagens centrais (Bárbara Colen como Teresa e Thomas Aquino como Pacote/Acácio), mas que vão cedendo espaço… Principalmente Barbara, cujo desenvolvimento acaba ficando muito atado no roteiro ao de seu companheiro, mesmo que ele de fato esteja excelente com a vantagem que lhe é dada na maratona de acontecimentos. O crescimento de seu personagem “Pacote” é o gatilho da crucial diferença entre miliciano/mercenário (que executa ordens a quem pagar melhor, sem uma “causa” ou crença pessoal) e cangaceiro, espécie de bandido social que busca justiça pela falta de emprego, alimento ou cidadania, como Lunga (cuja intenção representa algo coletivo, sem fins individualistas). E isto é Bacurau, é ativismo político coletivo.

Se o filme não possui 3 horas de duração, ainda assim parte do tempo parece ter sido usado para tridimensionalizar os antagonistas da trama e não permitir com que fossem arquétipos maniqueístas totalizantes e sem motivações para seus malfeitos… Ainda que seja uma escolha que acarrete prós e contras, já que alguns se comunicam em língua estrangeira e parecem propositalmente explorar o pastiche como mise-en-scène crítica ao colonizador, ante a naturalidade daqueles que não irão mais se permitir colonizar. É muito revelador o uso da narrativa do bufão e da sátira dos antagonistas para debatermos exatamente o que está acontecendo aqui e agora. Afinal, ver os brasileiros serem negociados como gado por interesses mundiais fascistas, majoritariamente norte-americanos, remete criticamente a muito do que está nos jornais todos os dias.

Isto porque não é apenas nosso cinema brasileiro que está lutando contra o fascismo dentro e fora das telas, mas sim nossos cidadãos, nossa própria conjuntura social com todas as suas vitórias pregressas, e também bagagem de mazelas inevitáveis que já carregávamos antes mesmo desta administração atual. A história do filme “Bacurau” pode até ser hipotética, mas as relações humanas que interligam o fazer e recepcionar Cinema com “C” maiúsculo não são. A linguagem do cinema pode unir os filmes numa grande família imortal, contudo, são seus espectadores, a cada geração, que interligam a catarse coletiva que uma obra pode ou não gerar: Experiência tripla através do entretenimento, da cinefilia e da força política de se assistir ao cinema brasileiro. Uma vontade de responder ao diálogo que o filme provoca. De não aceitar desaforo nem de antagonista ficcional nem de quem serviu como matéria-prima. É a plateia que reconecta a obra hipotética ao mundo que a pariu, e lhe dá o devido lugar no panteão de reflexões sobre a vida que vivemos e o que vamos fazer com ela… Até que as coisas mudem e se atualizem pra gerar o próximo filme.

 

Texto ora ampliado e revisado a partir do que foi originalmente publicado na Carta Capital:

https://www.cartacapital.com.br/opiniao/porque-bacurau-foi-o-melhor-filme-de-2019/