‘Em Ritmo de Fuga’

Dirigido por Edgar Wright, longa estreia nesta quinta-feira, dia 27.

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27 de julho de 2017

No estudo da teoria musical, a Harmonia reúne um conjunto de funções tônicas que provocam as sensações que a música tem o objetivo de transmitir. Há sensações de repouso, preparação, alegria, instabilidade, tensão, finalização. No filme “Em Ritmo de Fuga” (Baby Driver), o diretor e roteirista britânico Edgar Wright realiza sinfonia cinematográfica com harmonia perfeita da trilha musical com a montagem, o som, os diálogos e a encenação coreografada.

Galã de “A Culpa é das Estrelas”, Ansel Elgort vive baby, um motorista de assaltos (Foto: Divulgação).

Galã de “A Culpa é das Estrelas”, Ansel Elgort vive baby, um motorista de assaltos (Foto: Divulgação).

Não. “Em Ritmo de Fuga”, não é um musical, ou pelo menos não um musical como conhecemos com pessoas cantando e dançando nas ruas de Atlanta. Escolher as músicas para compor um filme antes do roteiro ser escrito foi o caminho que tornou possível para Wright criar cenas em fina sintonia. Na trama, Baby (Ansel Elgort) é um motorista de assaltos com bom coração. Ele só está no “serviço” porque tem uma dívida com Doc (Kevin Spacey), o chefe do esquema de roubos. Baby é o tipo que não aprova violência e até ajuda as vítimas que cruzam o seu caminho. Ele tem um zumbido no ouvido, deficiência que sofre depois de um acidente na infância. Para reduzir o incômodo auditivo, ele não desgruda do seu iPod. Toda rota de fuga traçada tem o ritmo de músicas específicas que o ajudam a ser muito eficiente na missão.

Baby quer quitar a dívida e sair do mundo do crime, mas vai enfrentar a resistência de Doc e ainda terá que lidar com os outros integrantes da quadrilha: Buddy (Jon Hamm), Darling (Eiza Gonzalez) e Bats (Jamie Foxx), que suspeita do piloto e será uma ameaça constante. O garoto está apaixonado pela garçonete Debora (Lily James), a esperança de uma vida decente e feliz para o motorista.

A garçonete Deborah (Lily James) é a esperança de uma vida decente para o rapaz (Foto: Divulgação).

A garçonete Deborah (Lily James) é a esperança de uma vida decente para o rapaz (Foto: Divulgação).

Um herói imperfeito, solitário e silencioso, como um personagem de faroeste ou um daqueles eternizados por Steve McQueen, Baby cuida do pai adotivo idoso e também deficiente (CJ Jones), e ainda registra falas e sons num gravador para criar músicas que são um verdadeiro diário da sua vida. Sem exatamente dança, mas com muita coreografia, o filme, passeia por uma trilha sonora deliciosa e surpreendente. O motorista vai buscar café ao som de “Harlem Shuffle”, de Bob & Earl e canções como “Brighton Rock”, do Queen, “Bellbottoms”, da The Jon Spencer Blues Explosion, “Hocus Pocus”, da Focus, “Neat Neat Neat”, da The Damned, serviram para sequências coreografadas, dando forma às cenas e coordenadas com tiros e as manobras de Baby ao volante em fuga nas espetaculares sequências de montagem de Jonathan Amos, colaborador de Edgar Wright, no frenético “Chumbo Grosso” e em “Scott Pilgrim Contra o Mundo”, e Paul Machliss, parceiro também em Scott Pilgrim. E ainda tem “Easy”, do The Commodores, e “Never, Never Gonna Give Up”, do mestre Barry White.

“Em Ritmo de Fuga”, ou como prefiro chamar no original “Baby Driver”, é uma experiência cinematográfica de sensações em harmonia, até porque, diz o filme, numa boa música, não pode faltar… “Baby”.

Avaliação Ana Rodrigues

Nota 5