Em Um Mundo Melhor

Um dos únicos filmes dirigidos por cineasta mulher a ganhar o Oscar de filme em língua estrangeira

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15 de janeiro de 2019

“Em um Mundo Melhor” (“Heaven”). Duração 1h 53min. Direção: Susanne Bier (mesma diretora do sucesso recente da #Netflix “Bird Box”). Elenco: Mikael Persbrandt, Trine Dyrholm, Ulrich Thomsen

(Revisão)

Oscar de melhor filme em língua estrangeira de 2011 — ganhou do grego “Dente Canino” de Yorgos Lanthimos, do canadense “Incêndio” de Denis Villeneuve e do mexicano “Biutiful de Alejandro González Iñárritu, além do argelino “Fora da Lei” de Rachid Bouchareb.

Vale muito a pena rever este filme, especialmente à luz do incentivo institucionalizado à violência na contemporaneidade, especialmente com a legalização do porte de armas e políticas ainda mais execucionistas do que já eram (atire primeiro e pergunte depois). O que é uma vitória moral se nossos corpos estão sendo fisicamente violentados e não sobra nada para contar história? O filme fala sobre a relação de violência entre o bullying e a masculinidade tóxica, além de realçar a importância da empatia, mesmo em culturas distantes e muitas vezes colocadas de forma dicotômicas como a Europa (Dinamarca) e a África.

Vale ressaltar a incrível fotografia do filme, qie realmente valorizou ainda mais com o passar dos anos. Esteticamente irretocável, mesmo que moralmente ambíguo, o que por um lado pode ser positivo e por outro nem tanto (especialmente na questão da parte africana da narrativa, que podia ser melhor integrada à história principal na Dinamarca).

Os únicos filmes dirigidos por mulheres a ganhar o Oscar na categoria de língua estrangeira foram “A Excêntrica Família de Antônia” da cineasta holandesa Marleen Gorris, em 1996, “Lugar Nenhum na África”, da alemã Caroline Link, em 2003; e “Em um Mundo Melhor”, da dinamarquesa Susanne Bier, em 2011. Menos de 5% dos ganhadores na história da categoria foram dirigidos por mulheres dentre os 61 ganhadores desde que a categoria se tornou competitiva em 1957.