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Sucesso internacional, com indicação ao Oscar, 'Rio' confirma a excelência narrativa de Carlos Saldanha

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16 de novembro de 2014

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Rio

“Rio”. De Carlos Saldanha (EUA, 2011)

Orçado em US$ 90 milhões, “Rio”, uma carta de amor à Cidade Maravilhosa assinada por Carlos Saldanha, faturou US$ 484 milhões mundialmente e ainda conseguiu uma indicação ao Oscar de melhor canção original. Mesmo sendo made in USA, o filme tem uma narrativa evoca o gênero mais popular do cinema brasileiro: a chanchada. spirante a Zé Carioca, o canário Nico (dublado por Jamie Foxx), sempre na companhia do cardeal Pedro (na voz de Will.I.Am), mescla samba e funk em seus dós-de-peito para atenuar os percalços da arara-azul Blu no Brasil. Cada vez que Nico e Pedro cantam, “Rio”, o novo longa-metragem de Carlos Saldanha (diretor da mina de ouro “A Era do Gelo”), cria uma ponte estética (e histórica) com a obra de um outro Carlos, o Manga.

Um espírito de chanchada percorre uma animação que, em seu tributo aos encantos cariocas, evoca a fórmula de comédia carnavalesca que, nos anos 1950, transformou longas como “O homem do Sputnik” e “Nem Sansão nem Dalila” — para citar duas obras-primas do mestre Manga — em campeões de bilheteria. Saldanha arrumou até um José Lewgoy de penas: a cacatua Nigel, malvada como os tipos eternizados pelo maior vilão do cinema nacional. Se Nigel seria uma versão ovípara de Lewgoy, Nico e Pedro ocupam papéis que cairiam bem a Grande Otelo e Colé: os coadjuvantes de luxo, que asseguram as tiradas cômicas. Dublado por Rodrigo Santoro, Túlio, o ornitologista que tira Blu de Minnesota para o Brasil, seria uma espécie de Cyl Farney, um herói romântico clássico. E como toda boa chanchada precisa de um Oscarito, esse papel é exercido pelo próprio Blu, graças à sofisticada interpretação de Jesse Eisenberg.

Surpreendente desde que apareceu como adolescente em crise em “A lula e a baleia” (2005), Eisenberg confirma sua excelência exponenciando as fragilidades de uma espécie de geniozinho atrapalhado — parecido com o professor Xenofontes vivido por Oscarito em “Carnaval Atlântida”. Blu sofre ao deixar seu poleiro nos EUA, numa jornada à cata de acasalamento com a arara Jade (Anne Hathaway), que é boicotada pelas armações de Nigel e de uma quadrilha de traficantes de animais raros (o coficiente de realismo da trama).

MegaPix, 20h