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Michael Haneke reinterpreta a durabilidade do querer e da tolerância em um drama laureado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes

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20 de novembro de 2014

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Amor

“Amour”. De Michael Haneke (França, Alemanha, Áustria, 2012)

Ao receber o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2013 por “Amor” (“Amour”), o diretor austríaco Michael Haneke atribuiu sua vitória a seus protagonistas, duas lendas do cinema francês: Emmanuelle Riva, estrela de “Hiroshima, mon amour”, e Jean-Louis Trintignant, astro de clássicos modernos como “Um homem, uma mulher”. Foi um discurso similar ao que o diretor fez no último Festival de Cannes, com a Palma de Ouro na mão: “Sem esses dois fantásticos atores eu não estaria aqui.” Começou em Cannes, com a conquista da láurea mais disputada do festival francês, uma trajetória que rendeu 80 prêmios internacionais ao drama vivido por um octogenário casal de professores de música aposentados: Georges (Trintignant) e Anne (Emmanuelle). Pais de Eva (Isabelle Huppert), também musicista, eles vivem em aparente harmonia, entre concertos e jantares a dois, até que Anne sofre um derrame. “Duas vidas são sempre carregadas de contradições, mesmo quando elas parecem se complementar numa união duradoura. Quando fecho a câmera sobre um casal de velhos num quarto, coisas acontecem. E num filme silencioso, simples, você observa como as pessoas podem se comportar de um modo diferente do que estamos habituadas”, explicou o diretor à época da vitória em Cannes. Haneke filmou “Amor” em Paris, ao custo de € 7,3 milhões, numa coprodução entre a França, a Alemanha (país onde nasceu) e Áustria (pátria que lhe deu nacionalidade). Nas telas, traduzida num jogo e ação e reação nas devastadoras atuações de Trintignant e Emmanuelle, a doença de Anne , além de mudar a rotina de Georges, atropela todas as concepções dele sobre tolerância e companheirismo.
Telecine Cult, 1h15m