Premiados no IV Cine Belo Jardim 2018

Festival catalisou um espírito politizado a rever a crise do país através do poder transformador do cinema

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27 de maio de 2018

Belo Jardim, Pernambuco – Foram anunciados os premiados do IV Cine Jardim – Festival de Cinema de Belo Jardim numa noite emocionante em meio à crise de combustível que o Brasil está passando. Alguns convidados não conseguiram comparecer devido aos bloqueios de estrada ou cancelamentos de vôos, tanto como alguns convidados não conseguiram sair da cidade, formando uma nova utopia mágica idealizada pelo cinema, parada no tempo, como se fosse o filme “Anjo Exterminador” de Luis Buñuel. O Festival catalisou um espírito politizado a rever a crise do país através do poder transformador do cinema. E, não por coincidência, os documentários saíram à frente especialmente nas categorias de longas-metragens, representando os principais prêmios laureados pelo IV Cine Jardim.

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Emocionados, os participantes receberam uma calorosa acolhida da cidade, com a exibição dos curta-metragens realizados nas oficinas do Festival, voltadas especialmente para o público infanto-juvenil, e do filme de encerramento “Mamata” de Marcus Curvelo. Um dos pontos altos decerto foi a consagração do filme “Vaca Profana” com os prêmios de melhor filme em curta-metragem pelo Júri Jovem da Oficina de Crítica e melhor atuação para Roberta Gretchen Coppola, dado pelo Júri oficial de curtas, composto por Roni Filgueiras, Mailin Milanes e Andy Malafaia, que também premiaram como melhor filme em curta-metragem “Tentei” de Laís Melo e melhor direção para Nathalia Tereza de “De Tanto Olhar o Céu Gastei Meus Olhos”. Roberta fez um discurso anti-homofobia e anti-LGBTQfobia e foi aclamada com ovação de pé por longos e emocionados minutos. Outro momento de muito calor humano foi a receptividade pela vitória do prêmio Especial do Júri Oficial para o filme “Real Conquista” de Fabiana Assis, recebido por Eronilde Nascimento, personagem do documentário que denunciou o massacre ocorrido numa ocupação de Goiás, que ecoou voz pela democracia e homenageou Marielle Franco.

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Em relação aos longas-metragens, pelo Júri formado por Roni Filgueiras (em função dupla, substituiu a ausência de Pedro Diógenes), Lis Paim e Alexandre Figueiroa, os grandes laureados foram os documentários críticos e experimentais “Modo de Produção” de Dea Ferraz com o prêmio de melhor filme, e “A Noite Escura da Alma” de Henrique Dantas e “Kinopoéticas InArmónicas” de Pedro Dantas que dividiram a maior parte dos outros prêmios, e denunciaram a conjuntura atual de parte da população que pede por Intervenção Militar de forma leiga e inconsequente, sem lembrar os horrores escondidos no armário de um passado ainda demasiadamente presente. Todos também elogiaram o espírito de união entre os países da América Latina que o Festival evoca. Afinal, esta foi a primeira edição em que o Festival ampliou a curadoria para além dos filmes brasileiros para toda a América Latina (situação que ainda poucos Festivais no Brasil abrangem).

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Confira abaixo a lista completa:

O diretor Henrique Dantas estava presente para agradecer pessoalmente os 3 prêmios: melhor filme de longa-metragem pelo Júri Popular, e melhor direção e atuação pelo Júri Oficial de longas

O diretor Henrique Dantas estava presente para agradecer pessoalmente os 3 prêmios: melhor filme de longa-metragem pelo Júri Popular, e melhor direção e atuação pelo Júri Oficial de longas

LONGA-METRAGEM 🎬

➡️ MELHOR IMAGEM: Para FERNANDO LOCKETT, fotógrafo, e RENATA PINHEIRO, diretora de arte, pelo filme AÇÚCAR, de Renata Pinheiro.

➡️ MELHOR LONGA METRAGEM: Por conseguir fazer cinema com tão pouco, por escutar e dar a ver vidas e situações precárias e reveladoras de um cotidiano de semi-escravidão de trabalhadores que ainda perdura em pleno século 21 no Brasil, o prêmio de melhor longa-metragem vai para o filme MODO DE PRODUÇÃO, de Dea Ferraz.

➡️ MELHOR DIREÇÃO: Pela coragem da pesquisa e do confronto direto com temas extremamente cruéis e relevantes enraizados na história do nosso país – a tortura e a ditadura militar -, permitindo que estes se mantenham vivos, por meio do cinema, a ensinar às novas gerações que não devem jamais repeti-los, o prêmio de melhor direção vai para HENRIQUE DANTAS, de A NOITE ESCURA DA ALMA.

➡️ MELHOR CONCEPÇÃO DE SOM: Para Marcos Salazar e Marcelo Tupo, editores do som do filme KINOPOÉTICAS INARMÔNICAS.

➡️ MELHOR ATUAÇÃO: Pela força inimaginável, pela lealdade e amor ao outro e ao lugar onde se vive, o prêmio de melhor atuação vai para os militantes presos e torturados políticos da Ditadura Militar no Brasil, personagens do filme A NOITE ESCURA DA ALMA, que entregaram suas mentes e corpos na luta engajada pela liberdade.

➡️ PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI: Pelo olhar poético lançado aos povos e ao território da América Latina, assim como à sua integração, por meio de uma narrativa experimental conduzida por sonoridades ameríndias, o Prêmio Especial do Júri vai para o filme KINOPOÉTICAS INARMÔNICAS, de Pedro Dantas.

➡️ MELHOR TRILHA SONORA: Para Chico Pedro, Grupo La Revuelta, Martín Mirol e Orquestra Típica de Guapos, e Atahualpa Yupanqui, autores da trilha sonora do filme KINOPOÉTICAS INARMÔNICAS.

➡️ MELHOR MONTAGEM: Para Pedro Dantas, montador do filme KINOPOÉTICAS INARMÔNICAS.

CURTA-METRAGEM 🎬

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➡️ MELHOR ATUAÇÃO: Roberta Coppola, pela atuação no filme Vaca Profana.

➡️ MELHOR CURTA-METRAGEM: Tentei, de Lais Melo.

➡️ MELHOR DIREÇÃO: Nathália Tereza pela direção do filme De tanto olhar o céu gastei meus olhos.

➡️ MELHOR CONCEPÇÃO DE SOM: Filme-Catástrofe, de Gustavo Vinagre.

➡️ MELHOR MONTAGEM: Flecha Dourada, de Cintia Bittar.

➡️ MELHOR IMAGEM: El niño y la noche, de Claudia Ruiz.

➡️ PRÊMIO JÚRI JOVEM: Vaca Profana, de René Guerra.

➡️ PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI: Por revelar um país periférico e de resistência, por meio de uma mulher forte e inspiradora, em um retrato esperançoso e síntese da linha curatorial que pretendeu abrir as veias da América Latina, o prêmio vai para Real Conquista, de Fabiana Assis.

➡️ PRÊMIO ELO COMPANY: Tentei, de Laís Melo

➡️ PRÊMIO CIARIO: Tentei, de Laís Melo

VOTO POPULAR 🎬

➡️ MELHOR LONGA-METRAGEM PELO VOTO POPULAR: A Noite Escura da Alma, de Henrique Dantas.

➡️ MELHOR CURTA-METRAGEM PELO VOTO POPULAR: Edney, de João Cintra

Prêmio Cleto Mergulhão para curtas locais:

1° “Por Amor a Arte” de Heleno Florentino

2° “Ventre Morto” de David Henrique

3° “Jesus Também Feminino”

Os realizadores da primeira e segunda posição do prêmio Cleto Mergulhão estavam presentes para agradecer

Os realizadores da primeira e segunda posição do prêmio Cleto Mergulhão estavam presentes para agradecer0