Roma, Cidade Aberta

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07 de outubro de 2014

“Roma, cidade aberta” (1945), de Roberto Rossellini, é apontado como o marco inaugural do neo-realismo italiano, movimento artístico que se opunha à fábula hollywoodiana do cinema fantasioso, imprimindo aos filmes um tom quase documental. Voltando-se para histórias mais humanas, o neo-realismo estabeleceu um cinema de denúncia dos graves problemas sociais e econômicos vividos pelo país, especialmente no pós-guerra.

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Ambientado na Itália ocupada pela Alemanha, o filme retrata a resistência de grupos clandestinos às tropas nazistas. Com planos gerais e ampla profundidade de campo, Rossellini, que teve um passado ligado à resistência, apresenta ao público o cenário de guerra desolador em que o país se encontrava após a queda de Mussolini. Como o objetivo era apresentar um retrato fiel da realidade, “Roma, città aperta” (no original) é um filme cru, sem qualquer floreio ou recurso narrativo mais elaborado, já que a proposta do movimento nascente era justamente enfrentar a artificialidade do cinema italiano então produzido – um subproduto do cinema clássico americano – trazendo à tona a dura realidade vivida pela população do país.

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Ao retratar a resistência ao Nazismo, Rossellini fazia, também, uma contundente declaração política: a de que nem todos os italianos apoiavam o regime fascista de Mussolini ou se alinhavam aos preceitos políticos de Hitler, dando ao filme um peso ideológico até então inexistente na cinematografia mundial.

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Dominado por medo e angústia, “Roma, cidade aberta” não poupa o público de uma visão pessimista e desesperançosa da humanidade. Salvo por raríssimos momentos de alívio cômico, a narrativa é dura e, mesmo quando sugere alguma possibilidade de romancear a realidade, o faz apenas para frustrar essa ilusão logo a seguir, impedindo qualquer tentativa de escapismo capaz de abalar o seu compromisso de suscitar a reflexão de um povo até então acostumado a entrar no cinema para escapar das próprias dificuldades.

 

Festival do Rio 2014 – 6x Rossellini: uma Homenagem à Cineteca di Bologna

Roma, cidade aberta (Roma, città aperta)

Itália, 1945, 105 minutos.

Direção: Roberto Rossellini

Com: Aldo Fabrizi, Anna Magnani, Marcello Pagliero.

Avaliação Celso Rodrigues Ferreira Junior

Nota 5